JNO - Jornal de Nova Odessa - page 2

QUINTA-FEIRA, 25 DE JULHO DE 2019
PÁG. 2
em cena
LIMITE
O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx
Lorenzoni, disse ontem, dia 24, que a
liberação dos saques de contas ativas e
inativas doFundodeGarantiadoTempo
de Serviço (FGTS) serão limitados a R$
500 neste ano. Em entrevista à Rádio
Gaúcha, oministro adiantou que o perí-
odo de saque autorizado será de agosto
desteanoamarçodoanoquevem. “Será
uma coisa opcional. O trabalhador tem
toda a liberdade de usar esse recurso ou
não”, disse oministro.
ECONOMIA
O presidente Jair Bolsonaro afirmou
que a liberação do saque do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é
uma medida emergencial para ajudar a
economiadopaís,principalmenteosetor
docomércio.Bolsonaroconfirmouqueo
valor inicial do saque deve ser limitado a
500 reais por ano, mas disse que até “a
última hora” tudo pode mudar.
INSCRITOS
O site Não me Perturbe já tem cerca
de 1,5 milhão de pedidos de bloqueio
de ligações indesejadas de serviços de
telecomunicações.Ainiciativaédasope-
radoras de telecomunicações e atende a
uma determinação da Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel). O site é
um canal no qual podem se cadastrar
pessoas que não desejam mais receber
chamadas de telemarketing dos servi-
ços de telefonia, de dados e de TV paga.
Paradeixarde receber essas chamadas, o
consumidordevepreencheroformulário
de inscrição na plataforma. A suspensão
das chamadas pelas empresas de tele-
comunicações ocorrerá em até 30 dias,
contados da data do cadastramento. A
lista é única e agrega as principais em-
presas do setor: Algar, Claro/Net, Nextel,
Oi, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo.
NOVO DIRETOR
O Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) anunciou
nesta quarta-feira, 24, a indicação de
AndréLaloniparaaDiretoriadeCréditoe
Participações.Anomeaçãoseráfeitaapós
apreciação do Conselho de Administra-
ção da instituição. Laloni é Engenheiro
Mecânico formado pela Unicamp com
MBA pela University of Virginia Dar-
den School of Business e possui sólida
experiência no mercado financeiro. Ele
foi vice-presidente do Goldman Sachs,
alémdediretordoUBS,Barclayse Itaú.O
executivodeixaavice-presidênciafinan-
ceiradaCaixaparasededicar,noBNDES,
à diretoria responsável pela gestão da
carteira de renda variável e da carteira
de créditos por meio de apoio indireto.
CHARGE
Saúde: umdireito
ainda utópico
Roberto Floriani
Carvalho
médico formado pela Pontifí-
cia Universidade Católica do
Paraná (PUCPR) e especialista
em saúde pública.
A
Constituição
Federal bra-
sileira trata a
vida como o
bem maior
dosdireitosfundamentais,
destacando a saúde com
um direito de todos cida-
dãoseumdeverdoEstado.
Mais de 30 anos após ser
aprovada pela Assembleia
Nacional Constituinte e
promulgada, inúmeros
e recorrentes problemas
na saúde pública tornam
o direito constitucional à
saúdecadavezmaisdifícil.
Você já deve ter escutado
muitas histórias negativas
envolvendoasaúdepública
brasileira. Nãoémesmo?
Éinegávelqueaolongo
dos anos foram criados
inúmeros programas go-
vernamentais que tiveram
por objetivo viabilizar um
atendimento com exce-
lência, mas a longo pra-
zo não surtiram efeito e
hoje vemos um sistema
decadente e sucateado.
Analisando o cenário que
se repete há mais de três
décadas, podemos ligar os
problemasdasaúdenacio-
nal,principalmente, a falta
de uma gestão eficiente,
profissional eotimizada.
A utilização dos recur-
sos é equivocada, dificul-
tando ummelhor atendi-
mentoàpopulação.As tabelas
de pagamento para procedi-
mentos médicos, realização
de exames e internamentos
hospitalares são obsoletas.
Isso acaba diminuindo dras-
ticamente a rede de unidades
de saúde credenciadas ao Sis-
tema Único de Saúde (SUS),
trazendo problemas visíveis
aoatendimentoquantitativoe
qualitativo.
O péssimo uso dos recur-
sos tornam as condições es-
truturaisdasUnidadesBásicas
de Saúde e dos hospitais cada
vez mais deploráveis. Fre-
quentemente, encontramos
unidades em manutenção,
funcionandomuitasvezesem
prédios improvisados, com
instalações precárias, dificul-
tando ainda mais a vida da
população. Nas unidades de
prontoatendimento,responsá-
veis pelo atendimento secun-
dário da população, é muito
comum depararmos com a
falta de equipamentos médi-
cos,mobíliase, atémesmo,de
medicamentos básicos, e isso
contribui para a superlotação
dos hospitais públicos, onde
osbrasileirosenfrentamhoras
ehorasdefilasimplorandopor
consultas,examesdediagnós-
ticooucirurgias eletivas.
Pensandonaparteprática,
a falta de um trabalho orga-
nizado e efetivo na área da
medicina preventiva também
contribui diretamente para o
quadronegativo.Casofossere-
alizadacorretamente,aprática
diminuiriaconsideravelmente
os atendimentos no setor de
UrgênciaeEmergênciadarede
(Unidades de Pronto Atendi-
mentoeHospitais).
Paracompletar,umproble-
ma recorrente e que persiste
semsolução. O sistema de
saúdepública sentea falta,
em quantidade e qualida-
de, de profissionais para
o atendimento básico e
especializado à população
de cidades do interior do
Brasil. Senosgrandes cen-
tros urbanos o problema
é evidente, nas cidades
menores ele se torna ain-
da mais alarmante. Uma
soluçãoparaesseproblema
seria a adoção de umpro-
grama atraente de plano
decarreiraqueincentivaria
osprofissionaisaatuarem
zonas periféricas e depois,
com modelos de promo-
ção, sendo realocados em
grandes cidades.
Um estudo realizado
noBrasil peloCFMeCRE-
MESP, entre os anos de
1970 e 2011, demonstrou
que o número demédicos
noBrasilpassoude58.994
para 371.778. Hoje, esse
número já superou a casa
dos 400 mil profissionais,
representandoumaumen-
to de aproximadamente
530%, enquanto a popu-
lação no mesmo período
aumentou 104,8%. Atual-
mente, o Brasil é o quin-
to país do mundo com o
maiornúmerodemédicos.
Ou seja, com uma gestão
profissional e atrativa, os
resultados tendem a me-
lhorar consideravelmente.
Mas é lógico que não
podemos deixar de valori-
zar os médicos que, mes-
mo com todas limitações,
trabalham expondo sua
integridade física, moral e
ética em uma verdadeira
cruzada pela saúde. Os
governantes deveriam se
espelhar nesses profissio-
nais que entendem o di-
reitodapopulaçãoà saúde
para promover mudanças
significativas no sistema
público, que clamaurgen-
temente por uma gestão
profissional e sustentável.
Atualmente, o Brasil é o
quinto país domundo
comomaior número de
médicos.
Saúde da população em risco
Maria Rita de
Souza Mesquita
segunda vice-presidente
da Associação de Obstetrícia
e Ginecologia do Estado
de São Paulo (Sogesp).
H
á mais de uma
década, os mé-
dicos do Brasil
tornaram-se alvo
preferencial de
maus gestores. A explicação
ébásica: aMedicinaatrai cada
vezmais os olhares de grupos
que veem a Saúde apenas
como um grande negócio.
Assim,movidospelotilintarda
mercantilização, oportunistas
criam máquinas puramente
lobistas para favorecer maus
empresários do ensino, da
assistência suplementar e por
aí vai.
OProgramaMaisMédicos
foi uma das principais esto-
cadas contra nossa classe. De
cima para baixo, na calada da
noite, o Brasil foi invadido por
profissionais que nem preci-
savam comprovar se tinham
capacitação para exercer a
Medicina. Claramente a meta
era desqualificar os médicos
denossoPaís.
Nossasentidadesrepresen-
tativasprotestaram,aimprensa
denunciou o risco à saúde da
população,mas parecequeos
sinaisdealertanãoforamassi-
milados. Tantoé fatoque, dias
atrás,veioapúblicoquealguns
maus políticos defendemque
o processo de revalidação de
diplomas de graduados em
Medicina fora do Brasil seja
realizado por faculdades par-
ticulares.
Emsuma,parecequedese-
jamtransformar a revalidação
em um balcão de negócios.
Maisumavez,oprejuízopode
estourarnasmãosdemédicos
e pacientes. O mercado será
inflado por profissionais sem
formação adequada, que só
desgastarão nossa imagem
e a da Medicina, enquanto a
assistência aos cidadãos será
de fundodequintal.
O congelamento dos in-
vestimentos na Saúde por
20 anos, decretado em meio
ao Governo anterior, é outro
exemplo. E recentemente, a
FolhadeS. Paulonoticiouque
oSUSfoialvodeestudoinédito
liderado pela Universidade de
Harvardepublicadonarevista
Lancet.
Em um dos cenários, tra-
çaram um panorama do que
podeocorrercomaassistência
pública até 2030, semantidas
as transferências no nível de
2015 e sem aumento do fi-
nanciamento, associadas ao
crescimentodoPIBem1%,2%
e 3%. A conclusão é a de que,
semaumentodeverbas,have-
rádeterioraçãode indicadores
da Saúde de suma relevância:
taxa de mortalidade infantil,
consultas pré-natal, cobertura
doprogramadesaúdedafamí-
lia emortalidade por doenças
cardiovasculares.
Por ironia do destino, si-
multaneamenteestáemanda-
mento uma operação chama-
da “Mundo Novo”. Tornou-se
público que há um consórcio
de operadoras de planos de
saúde trabalhando forte em
Brasília para modificar inte-
gralmente a Lei 9.656/1998, a
única garantia que médicos e
pacientestêmcontraosabusos
dos planos de saúde.
Fica evidente que o mo-
vimento é orquestrado. Há
muitospoderososinteressados
emenfiar a facanos pacientes
e tirar o sangue dos médicos.
A receita para reverter omal é
levantar acabeça, arregaçar as
mangas, unir-se em torno de
nossas entidades e reagir.
Nós podemos. Nós somos
aMedicina.
A união por Salto Grande
Chico Sardelli
empresário, presidente do PV
em Americana e vice-presidente
estadual do partido
O
s esforços da
sociedade para
a recuperação
da Represa de
Salto Grande,
devolvendo ao reservatório
a condição de balneário em
Americana, ganharammais
um capítulo com o trabalho
sempre ativodeRicardoPai-
xão, fundador domovimen-
to Vamos Salvar a Represa.
Emminha trajetória, tive
a oportunidade de conhecer
oativistaambiental, também
ferrenho defensor da des-
poluição da represa. Paixão
reforça o trabalho iniciado
em março, quando estive
em audiência com Ministro
do Meio Ambiente, Ricardo
Salles, emBrasília, acompa-
nhadodo secretáriodemeio
ambiente de Americana,
Odair Dias, sob a orientação
do prefeito Omar Najar.
Levei aoministroaneces-
sidadede revitalizaçãodore-
servatório, que por décadas
foi um espaço de lazer para
as famílias de Americana e
região.
Paixão tem outra boa
ideia, defendida por ele des-
de 2012 e apresentada ao
ministro no início do mês:
a construção de uma UTR
(Unidade de Tratamento de
Rio) capaz de recuperar a
qualidade da água do reser-
vatório.
A tecnologia promete
remover 98% do fósforo
presente na água. Aliado
ao hidrogênio, o elemento
é responsável pelo forne-
cimento de nutrientes às
macrófitas que ainda ocu-
pam175hectares doespelho
d’água. Menos nutrientes
= menos macrófitas = água
mais limpa!
Conheci duas UTRs em
operação: a unidade Arroio
Fundo, noRiode Janeiro, co-
locada ematividadedurante
os Jogos Pan-Americanos de
2007, e na Pampulha, em
Belo Horizonte. Os resulta-
dos são visíveis.
O investimento é uma
boa alternativa. Ampliar
o tratamento de efluentes
seria melhor ainda. Temos
todos um só objetivo: salvar
a Represa de Salto Grande. E
conseguiremos.
1 3,4,5,6
Powered by FlippingBook